Quarentena

E o início da quarentena coincidiu para mim com o encerramento de um ciclo bastante produtivo e cheio de alegrias junto a Secretaria de Habitação do Recife. E ali, logo depois da decretação do necessário isolamento social, eu me isolava também para cuidar de mim e da minha família.

Começava então, um período de dúvidas que se pautavam na delicadeza de toda uma família confinada. Sendo esta família, assim como tantas outras, de bastante heterogeneidade. Aqui nós temos Luca (17 anos), que está no terceiro ano do Ensino Médio. Temos Cléo (14 anos), que está cursando o nono ano do Fundamental II. Temos Nina (1a11m), que tinha iniciado em fevereiro sua vivência escolar. E temos o nosso Toby, que amava passear na rua duas vezes ao dia.

Iniciava o desafio de TODOS convivendo intensamente, integralmente e diariamente, como nunca ocorreu por aqui.

Veio então o primeiro desafio que eu já identifiquei como sendo ESSENCIAL para este novo e inesperado período que passaríamos a viver, e que não tinha previsão de fim: a rotina. Entendendo que rotina é essencial para que possamos viver de forma saudável e equilibrada, tratei logo de combinar com meu marido e chamar uma reunião familiar. Como sempre fazemos isso por aqui quando precisamos discutir e decidir questões do interesse comum da família, não houve estranhamento no assunto e agora precisávamos traçar as diretrizes para manter a harmonia.

Estabelecíamos então que, todos nós teríamos a nossa rotina de dormir e acordar preservadas e que, as refeições, teriam hora e formato para acontecer. Ou seja, tínhamos que estar juntos a mesa e nada de cada um chegar no seu tempo. No quesito afazeres domésticos, combinávamos que todos teriam sua cota de responsabilidade aumentada, constando inclusive, o cuidado com Nina, a nossa caçula e com Toby.

Concordamos também que, os nossos estudos e os nossos objetivos, não podiam cair no esquecimento ou na postergação que o momento oferecia. Ao contrário, o momento provava a gente que a nossa responsabilidade com o coletivo e com o individual estava sendo ainda mais necessário e urgente.

Não foi fácil, mas, ajustando algumas regras de convivência, nos adaptamos, e, mesmo com TODOS por aqui com as emoções sendo testadas a todo momento, temos podido usufruir do que o novo tempo nos oferece. A nossa convivência acontecendo de forma mais próxima, mesmo com as divergências que ela nos traz, podemos nos entender e conhecer melhor.

Conseguimos, desde então, ficar um pouco mais com Luca, com Cléo, com Nina e com Toby e temos rezado juntos. As conversas têm sido mais demoradas com eles e a dedicação com mais integralidade aos meus estudos da Nutrição, curso que tem me rendido boas horas de dedicação e descobertas no caminho da sustentabilidade do indivíduo e do planeta.

Pude também me dedicar a cuidar ainda mais da nossa alimentação e consegui voltar a cozinhar e fazer, com a participação integral de todos, novas comidas saborosas e nutritivas.

Dentro disso tudo, estou tendo a felicidade de, junto com meu marido, usufruir de bons momentos a dois. E, mesmo diante de um cenário de incertezas e dificuldades, temos feito escolhas de viver no amor.

Agora, uma coisa é certa, não tive tempo de colocar as leituras em dia e a saudade dos meus pais e dos tantos que amo maltrata o coração, mas escolho viver na confiança de que Deus cuida de tudo. Sempre!

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