Ação do Chegando junto tem foco na primeira infância e empregabilidade das mulheres

Cerca de 300 crianças são contempladas pelo projeto Pertencer – Espaço de Convivência

É possível saber se uma criança será bem-sucedida ou capaz de fazer boas escolhas no futuro? Há estudos que afirmam que apesar de não serem fatores únicos, vínculos familiares e ambientes saudáveis são essenciais ainda na primeira infância – que vai até seis anos – para desenvolver características cerebrais presentes em adultos autônomos e com mais qualidade de vida. Esse é o momento que as experiências, aprendizados, descoberta e afetos são levados para o resto da vida. Deixando marcas profundas no cérebro com a falta de estímulo, de cuidados, violência, despreparo dos cuidadores e educadores no começo da vida.

Ao assumir a pasta da secretaria de Habitação do Recife, Isabella de Roldão preocupou-se  em ultrapassar os limites da construção de moradias implantando o conceito de “habitabilidade”, e propôs ao prefeito Geraldo Julio  mudar a realidade dessas crianças dos habitacionais e comunidades do Recife através do Pertencer – Espaço de Convivência – que faz parte do Programa Chegando Junto.

O projeto cria em espaços de convivência onde as crianças são acolhidas por mães da própria comunidade engajadas no curso profissionalizante de Brinquedista na modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA). “O Pertencer tem como principal foco o desenvolvimento infantil, estímulo ao pertencimento e reconhecimento da comunidade local e seu entorno. As crianças de seis meses a seis anos são orientadas a brincar com qualidade através de recursos como brinquedos e jogos lúdicos para o melhor desenvolvimento da primeira infância”, explicou a secretária de Habitação.

Segundo Isabella de Roldão, os primeiros anos de vida é o momento em que o cérebro, se estimulado adequadamente, atingirá o seu potencial máximo de aprendizado (plasticidade). Habilidades como linguagem ou raciocínio lógico começam a ser desenvolvidas já durante a gestação, mas até a primeira infância, elas são definitivamente consolidadas. “Nessa fase o cérebro da criança é moldado a partir das experiências que ela tem, e do ambiente que ela vive. Até os três anos de idade, o cérebro cresce e se desenvolve a uma velocidade surpreendente. É quando a criança aprende a enxergar, detectar sons, andar, falar, identificar quantidades e construir uma série de outras habilidades”, explica.

Isabella ainda reforça que não se pode trabalhar a primeira infância sem fazer um recorte e debater a discussão de gênero. Fomentando a esperança e a cidadania junto às mulheres beneficiárias do projeto que passa a empoderar e mudar suas realidades, bem como de suas crianças e das comunidades nas quais estão inseridas através de ações voltadas para a profissionalização e geração de renda. “A acolhida permite que as mães voltem a ter chances de disputar uma vaga de trabalho no mercado formal e concede a elas uma segunda chance de reinterpretar seus próprios destinos. Ao oferecer este espaço, estimulamos que essas mulheres voltem a estudar, se qualifiquem, abracem uma nova profissão e se apropriem de suas escolhas”, enfatizou a secretária.

Atualmente, o projeto funciona em dois habitacionais do Recife, o Padre Miguel e o Travessa do Gusmão, localizados no bairro de Afogados, São José, respectivamente e na comunidade de Caranguejo Tabaiares, na Ilha do Retiro. Em fevereiro, o Habitacional Abençoada Por Deus, na Iputinga, recebeu o projeto, e com esta nova unidade, o Pertencer chega a 300 crianças contempladas e 50 mães-colaboradoras participando do programa.

Fotos: Andréa Rêgo Barros/PCR  

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