Isabella de Roldão divulga nota de solidariedade a vereadora e também pedetista do município de Chã Grande Danielle Alves

Isabella de Roldão (PDT) enviou uma nota de solidariedade a vereadora e também pedetista do município de Chã Grande, Danielle Alves, que, na última quarta-feira (01), durante a sessão plenária da Câmara Municipal, precisou ouvir o discurso carregado de ódio e palavras ameaçadoras, com tom pejorativo, desrespeitoso e criminoso, do vereador Ninho do Moto Taxi (PL) o qual incitava a população a “jogar água quente quando a encontrassem na rua”. E pasmem, tudo ocorreu durante a sessão plenária, transmitida ao vivo, na presença de outros vereadores e do próprio presidente da Câmara Municipal.

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“O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos”
É inadmissível que nós mulheres ainda tenhamos que vivenciar e aguentar caladas violências verbais, psicológicas e desumanas oriundas de um machismo estrutural que ainda impregna a nossa sociedade. Junto à minha voz e me solidarizo com a vereadora e também pedetista do município de Chã Grande, Danielle Alves, que, na última quarta-feira (01), durante a sessão plenária da Câmara Municipal, precisou ouvir o discurso carregado de ódio e palavras ameaçadoras, com tom pejorativo, desrespeitoso e criminoso, do vereador Ninho do Moto Taxi (PL) o qual incitava a população a “jogar água quente quando a encontrassem na rua”. E pasmem, tudo ocorreu durante a sessão plenária, transmitida ao vivo, na presença de outros vereadores e do próprio presidente da Câmara Municipal.

Infelizmente, este tipo de atitude alcança, já há algum tempo, as mais variadas esferas, tendo saído do mundo privado e doméstico e alcançado os diversos espaços conquistados à muito suor, lágrima e sangue derramados pelas inúmeras mulheres que nos antecederam nesta incessante busca pela igualdade.

Mas, o caso ocorrido no início do mês no município de Chã Grande, toma proporções ainda mais graves, haja vista tratar-se de uma autoridade agredindo a uma outra autoridade, diante de uma Casa Legislativa que a tudo assistia em silêncio, como se tudo ali se desse dentro da legítima normalidade e tendo ainda o respaldo do Excelentíssimo Presidente daquele poder. É quase inimaginável que tamanha barbaridade tenha ocorrido sob o sustentáculo de um poder legítimo e com a força da difusão de uma transmissão feita ao vivo nas redes sociais.

Como podemos calar-se diante de tamanha gravidade? Como não sentir pulsar dentro do peito a indignação por ver uma mulher sendo veladamente ameaçada e exposta a riscos de agressão iminente, tendo o respaldo de uma autoridade legitimamente eleita? Quando vamos nos dar conta de que atitudes como esta avalizam e incitam a violência? Quantas mulheres ainda morrerão até entendermos que o nosso silêncio e omissão agravam ainda mais a injustiça e desigualdade até então protegidas por uma conivência velada?

Eu vivi, enquanto vereadora do Recife, situações de muito desrespeito, constrangimento e deboches, e sabia que, o muito ali se dava por eu ser mulher. Sabia que a situação não era política, mas de gênero. Sabia que a minha presença, por ser mulher, unicamente por isto, já era suficiente para incomodar os egos dominadores de uma posição confortável que alguns homens tinham diante da dominação e apropriação da política como sendo espaço permitido para elEs.

Não se render ou baixar a cabeça, resistir e insistir, nos ajuda a fortalecer a teia de proteção e apoiamento mútuo de que precisamos para superar estas situações, e tirar da normalidade algo imoral e inadmissível aos tempos atuais.

Romper com a altivez de vozes que assombram e aterrorizam o nosso sossego, e que, de forma consciente e intencional, nos mandam de volta ao universo doméstico, nos dizendo em gestos e atitudes que lugar de mulher é na cozinha, se faz necessário e urgente.

Precisamos nos enxergar como sendo um organismo único e situações como esta precisam ser repudiadas por TODAS as esferas de poder e representações da sociedade civil para a garantia do nosso direito de ir e vir e o devido respeito a nossa decisão e escolha, afinal temos dito e nos manteremos firmes dizendo MULHER, VOCÊ PODE SER O QUE QUISER!

Sigamos, pois o que aconteceu na cidade de Chã Grande só nos confirma que muito ainda temos que caminhar em busca de uma sociedade verdadeiramente igual e respeitosa para as pessoas. Sigamos e fortaleçamos cada vez mais a nossa teia, para que, situações como esta, sejam de pronto repudiadas, e tenham as devidas medidas legais e protetivas do Estado, e que o silêncio não seja lugar comum diante das inúmeras situações de violência que vivem as mulheres brasileiras.

Isabella de Roldão é Advogada, filiada ao o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e ex-vereadora do Recife pela legenda.

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